segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A História de James S.

Tudo começa em algum momento do século XVII. James S. era um famoso viajante, um marinheiro conhecido por grandes feitos exploratórios. Procurando enriquecer, partiu juntamente de uma expedição de mercadores que seguia para o Brasil. James era muito habilidoso, mas também era conhecido por ser extremamente religioso e, por vezes, supersticioso.

Depois de meses de viagem, quando os tripulantes finalmente desembarcaram na costa brasileira, James logo acabou descobrindo mais sobre o comércio de café, muito presente no Brasil, e decidiu que isso seria uma ótima maneira de juntar uma fortuna rapidamente. Seus negócios iam de vento em popa, quando certo dia viu um navio estranho, sem nenhuma indicação náutica conhecida, que viajava ao longo da costa. “Seriam piratas?”, se perguntou James, conforme seguia, à distância, os navegantes.

Logo o navio suspeito dirigiu-se para uma cachoeira, que, como James descobriu, ocultava uma grande caverna. Esgueirando-se por caminhos no barranco, nosso herói entrou na caverna e confirmou suas suspeitas - eram piratas! Além de jóias e tesouros de todo o tipo, os vilões descarregavam sacos e mais sacos de café, que estariam traficando. James se escondeu entre o produto dos roubos, num momento de distração dos piratas, e aguardou até que todos se fossem, seguindo para mais roubos, para investigar.

A fortuna no local era maior do que qualquer coisa que James já tivesse visto, mas antes que pudesse tomar qualquer decisão, foi afastado de seus pensamentos pelo que parecia uma melancólica canção. James seguiu a voz, claramente feminina, até uma câmara nos fundos da caverna, onde havia um lago subterrâneo de água salgada. Em meio ao lago estava uma bela sereia, que cantava melancolicamente.

James deixou-se admirar a bela sereia, parte admirado, parte com medo, pois afinal não acreditava que tais seres existissem. Porém, não demorou muito para que a moça o notasse e chamasse, o que lhe assustou muito, pois temia ser amaldiçoado por ela. Depois de acalmá-lo, a sereia explicou-lhe que os piratas haviam lhe prendido alí pois ela se recusara a entregar seu tesouro, e garantiu que o recompensaria se ele o ajudasse a escapar. Os piratas só voltariam ao anoitecer, então ele só precisava ajudá-la a voltar para o mar.

Depois de carregá-la de volta ao mar, a sereia entregou-lhe um saco de pano. “Você é digno de ser o detentor das sementes mágicas. Plante-as, colha-as e você terá o melhor café de todos. Queira ou não, a partir deste momento você e todos seus descendentes estarão para sempre ligados às sementes de café.” disse ela, antes de desaparecer no mar. James não acreditava naquilo - na verdade, tinha até medo - e a primeira coisa que fez, assim que se certificou que a sereia havia partido, foi se livrar das sementes, arremessando-as no mar.

Mas as palavras da sereia logo se mostraram verdadeiras, pois as sementes sempre voltavam para James. Mesmo que arremessasse, queimasse ou pisoteasse as sementes, quando menos esperasse as encontraria, junto de seu saco de pano, dentro de seus bolsos, ou numa gaveta de escrivaninha, ou ainda em suas mãos, enquanto dormia. Finalmente, se conformou que teria que ficar com elas, mas decidiu nunca plantá-las.

Um dia acordou com uma inspiração estranha - será que poderia enganar o feitiço da sereia? Cortou uma mecha de seu cabelo e colocou-a junto das sementes, depois escondeu-a no porão de sua casa. No primeiro dia, as sementes não voltaram. Nem no segundo, ou no terceiro. No décimo, James estava convencido que enganara a sereia. Mesmo assim, ainda temia usa fúria, caso ela descobrisse seu truque.

Assim, trancou as sementes em um baú junto com a mecha de cabelo, enterrou-as e, em seu diário, escondeu a localização em uma série de dicas e um mapa para que seus descendentes encontrassem. As sementes nunca saíram do baú, e a sereia, apesar do medo de James, nunca fez nada contra ele - ela sabia que, de qualquer maneira, seus descendentes certamente encontrariam as sementes.

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