Capítulo 2
“Diário de John S.
21/02
Depois de alguns momentos de comemoração, falei ao pequeno professor, que olhava com grande interesse para meu rosto no Videofone. “Professor, você mencionou outras pessoas procurando o tesouro... Quem seriam?” O velho me sorriu um sorriso desdentado, e explicou “Na verdade, sempre houveram pessoas que vinham atrás de nós. Sabe, seu antepassado era uma pessoa bem... incrédula. Demorou muito para aceitar sua situação, então muitos acabaram conhecendo sua história. Dizem que ele acabava bebendo e chorando suas mágoas, acabando por contar tudo sobre as sementes e a sereia - menos o local do tesouro, a Sereia não deixava. Quem tentava forçá-lo a falar também acabava se dando mal de alguma maneira.” Ele pausou. “A história acabou virando uma lenda famosa entre os navegadores locais e passou de geração em geração. De vez em quando apareciam alguns caçadores de tesouros para ver se era verdade ou não.”
Isso me acalmou, mas o sossego durou poucos segundos, já que o velho continuou, com o rosto agora pensativo: “Nos últimos dias apareceram outras pessoas. Eram diferentes dos que eu já tinham visto. Pareciam mais profissionais. Eram como...” ele apontou para Alfa e Beta, aparentemente só agora notando suas presenças. “...como seus amigos aqui. Pareciam que estavam trabalhando por dinheiro, não pela aventura.”
A situação começava a se tornar preocupante. Alguém com dinheiro sabia do tesouro e estava atrás de mim. Perguntei mais para o Professor a respeito da identidade dos agentes, mas ele não soube me dizer mais nada, nenhuma informação útil. Seguimos viagem, deixando para trás a vila e o Professor, que se recusou a ser recompensado pelos seus serviços. Utilizando um jipe, meus agentes logo alcançaram o local indicado na dica, trilhando diversos caminhos irregulares, estradas de terra, entre outros. A viagem foi rápida e sem incidentes.
Conforme nos aproximávamos, podíamos ver uma encosta- o campo terminava subitamente, vários metros acima de pedras e do mar que batia com força contra elas. Dificilmente alguém que caísse sobreviveria, mas já não havia o risco: meus agentes, especialmente Beta, eram treinados em escaladas em ambientes urbanos e selvagens. Prepararam seus equipamentos e em questão de minutos já se penduravam pelo lado da encosta. A entrada da tal caverna já estava tomada por plantas e parcialmente coberta pela terra, mas ainda era facilmente vista como uma boca do lado da encosta. Tive a sensação de que era engolido pela terra conforme assistia com minhas câmeras a viagem dentro da caverna.
Com a retirada das plantas, parte da luz do dia penetrava na caverna, que, no final, à luz da lanterna de Beta, mostrou-se um tanto pequena. Dentro localizamos uma pequena alavanca, no meio da sala, assim como alguns desenhos na parede. Eram extremamente detalhados para as condições locais, o que levantou algumas questões sobre a participação da Sereia - que, aliás, mostrava-se no centro da ilustração, entre homens, sementes, plantas e diversos símbolos que não consegui identificar.
Alfa olhou ao seu redor, finalmente dando de ombros e, sem nenhuma palavra, deu um puxão na alavanca metálica, que fez um estalido alto antes que eu pudesse gritar algo para impedi-la. Mas nada aconteceu. Ficamos em silêncio por alguns momentos.
“Ouviu isso?” perguntou Alfa. “O que? Não ouvi nada.”, respondi. “Ouvi” disse Beta. “Meus ouvidos também estão apitando.” Confuso, continuei ouvindo a conversa. “Quando seus ouvidos apitam em um local fechado”, continuou Alfa, “quer dizer que houve uma mudança na pressão do ar.” Mal terminou a frase e a resposta surgiu - um dos painéis na parede deslizou lentamente para o lado com um ruído grave. Por trás dele, uma caverna que mal caberia uma criança se abria, sua porta já quase totalmente aberta. Do pouco que pude ver, outras portas se estendiam no decorrer do pequeno túnel. Não pude ver por mais tempo, pois uma massa negra começava a sair do túnel - morcegos.
Centenas, milhares de morcegos encheram o pequeno recinto com o bater de asas pretas e guinchos agudos. Alfa e Beta lutavam para afastá-los enquanto eu assistia impotente pelas câmeras em suas roupas e pelo videofone, que Alfa no momento utilizava para afastar o maior número possível de morcegos. Um grupo furioso chocou-se contra ela, fazendo-a tropeçar próxima da entrada e lançando o videofone fora de alcance, até cair nas rochas abaixo da entrada da caverna. Eu tinha que pensar em alguma coisa. Pressão... Morcegos... Morcegos emitem sons de alta freqüência. Alta freqüência... Dizem que o grito das Banshees e o canto das Sereias possuem freqüências especiais que lhes garantem propriedades mágicas... Era isso! “A Sereia!” gritei. Alfa ainda se debatia no chão, mas Beta reagiu rapidamente, empurrando a imagem da Sereia, que deslizou levemente para dentro. Nesse momento algo emitiu um som agudo que doeu até os meus ouvidos. Algo me dizia que havia algo naquele som que não devia ser perceptível por seres humanos, já que os morcegos pareceram enlouquecer e debandaram pela entrada da caverna ou pelo túnel que vieram.
“Outra vez, a Sereia aprontando uma das suas.” disse eu, vendo pelas câmeras ocultas Beta se encostando na parede e Alfa resmungando no chão. Lentamente, Beta virou para a parede. “Aí está a próxima pista.” Ao afundar, a imagem da Sereia deslocou todos os desenhos misturados, revelando uma mensagem oculta. Mais um desafio vencido.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Corram atrás das dicas!
A primeira pista já está nas lojas! Encontre os códigos em produtos Starbucks, envie SMSs para 5745 e nos ajude em nossa jornada.
Os 100 primeiros a encontrarem a dica 1 receberão um descontos em produtos Starbucks.
Os 100 primeiros a encontrarem a dica 1 receberão um descontos em produtos Starbucks.
Capítulo 1
Capítulo I
“Diário de John S.
15/02
Recrutei dois de meus melhores agentes, cujos nomes manterei ocultos para segurança de todos. Na verdade, ainda não entendo qual a necessidade de tanto mistério sobre a busca, mas a Sereia insiste, em meus sonhos, que a busca pode ser perigosa (acho incrível como já me acostumei com esses sonhos absurdos).
Alfa tem 25 anos e é uma ex-policial. Atualmente trabalha como detetive particular, ocasionalmente fazendo serviços freelance para conglomerados e grupos, governamentais ou não. Beta tem 47 anos e é um especialista em tecnologia e sobrevivência norte-americano. Seus serviços são freqüentemente empregados para treinamentos especiais para o FBI. Os dois foram deixados por uma equipe no local onde acreditamos que seja o início do mapa de meu avô. Gostaria que tivéssemos um X marcando o local, mas ao que parece teremos que ir seguindo as pistas que encontrarmos.
No momento estou mantendo contato direto com Alfa e Beta, ao mesmo tempo que posso assistir ao vivo sua busca por câmeras ocultas em suas roupas e equipamento. A Sereia aparentemente acompanha o progresso deles, seja lá como for (magia?) e parece satisfeita com nossos esforços.
O ponto inicial do mapa nos levou a uma pequena vila pesqueira na costa brasileira. É um local bem simples e pobre, sendo que rapidamente Alfa e Beta foram reconhecidos como estranhos. O local não é exatamente popular pelo turismo, o que levou a certa desconfiança dos nativos. Meus agentes não deram tanta atenção a isso, sendo que Alfa logo insistiu para entrar no bar para “descobrir alguma coisa”. Por mais cliché que isso seja, não consegui impedí-la, e logo estavam Alfa e Beta sentados no bar bebericando algo que preferi não saber o que era.
O estabelecimento era miserável. Eu podia quase sentir o cheiro da madeira quase podre de meu escritório, mas a idéia de Alfa se mostrou boa quando o dono do bar, um homem gordo, caolho, com os cabelos brancos e arrepiados, nos deu informações valiosas. Beta, que estivera em silêncio o tempo todo, perguntou se ele conhecia bem a região, se podia fornecer alguma informação sobre o passado da vila. O homem gordo olhou-o com curiosidade mas disse que não saberia ajudar muito, afinal “não era muito estudado”. Porém, indicou um casebre que ficava do outro lado da vila, onde supostamente um professor de história vivia. Seu sobrenome era... Rosa? “Algo assim. Nome de flor. Ele não aparece muito. Esqueci.”
Imediatamente Alfa e Beta cruzaram a vila. Todas as casas tinha o mesmo aspecto - madeira velha, aparência simples. Moradias de quem tem pouco dinheiro e pouco ânimo. Logo pudemos ver a casa do Professor - era a mais afastada do mar, e, talvez por isso, a em melhores condições, o que não quer dizer muito. Beta bateu na porta, mas foi Alfa que falou: “Professor? Está aí?”
Esperamos alguns minutos, sem ouvir som algum da casa. Beta bateu novamente. Nada. Alfa colou o ouvido na porta. “A casa não está vazia. Tem alguém aí dentro sim. Devo arrombar?”, me perguntou. “Claro que não. Não somos selvagens. Aliás, nem temos um mandado policial, seria contra a lei. Ligue seu Videofone.” Impaciente, Alfa ligou seu Videofone. Liguei para ela, agradeci e pedi que virasse-o para a casa. “Professor, meu nome é John Starbucks. Represento um grande conglomerado internacional de cafeterias. Não desejamos nenhum mal para você ou os habitantes desta vila. Só precisamos de sua ajuda.” Silêncio. Seja lá quem estivesse lá, não queria conversar. Não me dei por vencido. “O senhor sabe algo sobre sereias?” Desta vez o silêncio durou poucos segundos, até que a porta abriu alguns centímetros e um pequeno vulto surgiu. “É você, então?”
A porta se abriu lentamente. Um homenzinho pequeno, muito velho e curvado, apoiava-se em uma bengala rústica. Em seu nariz acentuado equlibrava-se um óculos grosso, fosco e gasto. Ele mancou até a direção do Videofone segurado por Alfa, ignorando ela e Beta. Parando com os olhos próximos a tela, que exibia meu rosto, ele forçou os olhos, depois arregalou-o e gritou com a voz rouca “É você mesmo!” Me perguntei por um momento se nossa única pista seria um velho senil, mas logo vi que estava enganado. “Ela me falou sobre você! Ela me mostrou! Entre! Vamos conversar!”
Minutos depois estávamos dentro da casa. Alfa e Beta ainda eram quase sempre ignorados, enquanto sentávamos na sala de estar do Professor. “Então... Professor Rosa, ‘ela’-- “CRAVO”, disse ele, me interrompendo. “Professor Cravo.” “Mil perdões, Professor. Quando o senhor disse ‘ela’, se referiu à Sereia?” Ele piscou e me encarou como se a pergunta fosse a mais idiota que já tivesse ouvido. “Mas é claro! E quem mais seria? A Sereia já falava ao meu pai, meu avô, o pai dele, e o pai do pai, e o pai do pai do pai, e o pai do pai do pai do pai--” Interrompi-o antes que ele continuasse. “Certo. Quer dizer que não é só a família Starbucks que tem sonhos com a Sereia.” “Exatamente. Mas se bem que os meus começaram a pouco tempo. Acho que foi no começo do mês.” Beta comentou de seu canto: “Foi quando o senhor encontrou o diário.” Ele tinha razão.
Com um aceno de cabeça e um sorriso vago, Professor Cravo continuou. “Meus antepassados guardavam uma mensagem. Era uma grande rocha na praia que havia sido esculpida. A Sereia pedia que sempre que a mensagem se desgastasse, que talhássemos outra pedra para que ela não fosse perdida. Nós não podíamos seguir as instruções da mensagem. Era um acordo - nós teríamos pesca e chuva em troca de respeitarmos e mantermos a mensagem viva. E todos cumpriam. Uma vez ou outra alguns garotos tentavam seguir o que ela dizia, mas só se perdiam. A Sereia só deixaria a pessoa certa ir atrás daquilo.”
Me animei, levantando-me do escritório como se isso fosse nos aproximar mais do nosso objetivo. “O senhor pode nos levar até a pedra?” O velhinho deu de ombros. “Claro. Sem problemas.” Acompanhamos o Professor por alguns momentos, até que Alfa, irritada com sua lentidão, colocou-o nas costas e correu até a praia, seguindo suas instruções. Chegando lá, seguimo-o até algumas rochas no canto sul da praia. “Era aqui”. “Sério? Pra mim parece tudo igual.”, comentou Alfa indiferente. “É uma pena. Com o tempo, meu pai parou de cuidar da pedra pela sua idade, e eu nunca tive condição física para trabalhos manuais, pois sempre fui doente. A mensagem da pedra se perdeu...” revelou o Professor tristemente. Por alguma razão, eu não me senti desanimado. Alguma coisa estava incerta, alguma coisa estava diferente... Eu ouvia alguma coisa...
“Alí!” gritei, sem notar a altura que havia falado. Todos se assustaram, menos o Professor. Eu apontava para uma pedra, especificamente em meio a um grupo aparentemente idêntico. Eu podia ouvir algo quando olhava para ela. Uma canção. Era a voz da sereia. Devagar comecei a notar algo como uma aura de luz, verde, azul. Alfa se aproximou com o videofone. “É ela”. O professor começou a emitir um som rouco, ritmado, e demoramos alguns segundos para descobrir que ele não havia se engasgado - estava rindo. “É você mesmo! É você com certeza! Não importava quantos viessem aqui falar comigo, a Sereia dizia que só o verdadeiro poderia identificar a pedra. Só pode ser você.” Sorrindo, o professor abriu uma velha carteira de couro, de onde tirou um grande papel desgastado e dobrado. “Foi de propósito que deixamos a mensagem se desgastar. Tome, aqui está. Estávamos te esperando a muito tempo.”
Finalmente havíamos conseguido a primeira pista! A busca iria continuar, mas só uma coisa me deixou apreensivo: quem seriam as outras pessoas que também procuravam o tesouro?”
“Diário de John S.
15/02
Recrutei dois de meus melhores agentes, cujos nomes manterei ocultos para segurança de todos. Na verdade, ainda não entendo qual a necessidade de tanto mistério sobre a busca, mas a Sereia insiste, em meus sonhos, que a busca pode ser perigosa (acho incrível como já me acostumei com esses sonhos absurdos).
Alfa tem 25 anos e é uma ex-policial. Atualmente trabalha como detetive particular, ocasionalmente fazendo serviços freelance para conglomerados e grupos, governamentais ou não. Beta tem 47 anos e é um especialista em tecnologia e sobrevivência norte-americano. Seus serviços são freqüentemente empregados para treinamentos especiais para o FBI. Os dois foram deixados por uma equipe no local onde acreditamos que seja o início do mapa de meu avô. Gostaria que tivéssemos um X marcando o local, mas ao que parece teremos que ir seguindo as pistas que encontrarmos.
No momento estou mantendo contato direto com Alfa e Beta, ao mesmo tempo que posso assistir ao vivo sua busca por câmeras ocultas em suas roupas e equipamento. A Sereia aparentemente acompanha o progresso deles, seja lá como for (magia?) e parece satisfeita com nossos esforços.
O ponto inicial do mapa nos levou a uma pequena vila pesqueira na costa brasileira. É um local bem simples e pobre, sendo que rapidamente Alfa e Beta foram reconhecidos como estranhos. O local não é exatamente popular pelo turismo, o que levou a certa desconfiança dos nativos. Meus agentes não deram tanta atenção a isso, sendo que Alfa logo insistiu para entrar no bar para “descobrir alguma coisa”. Por mais cliché que isso seja, não consegui impedí-la, e logo estavam Alfa e Beta sentados no bar bebericando algo que preferi não saber o que era.
O estabelecimento era miserável. Eu podia quase sentir o cheiro da madeira quase podre de meu escritório, mas a idéia de Alfa se mostrou boa quando o dono do bar, um homem gordo, caolho, com os cabelos brancos e arrepiados, nos deu informações valiosas. Beta, que estivera em silêncio o tempo todo, perguntou se ele conhecia bem a região, se podia fornecer alguma informação sobre o passado da vila. O homem gordo olhou-o com curiosidade mas disse que não saberia ajudar muito, afinal “não era muito estudado”. Porém, indicou um casebre que ficava do outro lado da vila, onde supostamente um professor de história vivia. Seu sobrenome era... Rosa? “Algo assim. Nome de flor. Ele não aparece muito. Esqueci.”
Imediatamente Alfa e Beta cruzaram a vila. Todas as casas tinha o mesmo aspecto - madeira velha, aparência simples. Moradias de quem tem pouco dinheiro e pouco ânimo. Logo pudemos ver a casa do Professor - era a mais afastada do mar, e, talvez por isso, a em melhores condições, o que não quer dizer muito. Beta bateu na porta, mas foi Alfa que falou: “Professor? Está aí?”
Esperamos alguns minutos, sem ouvir som algum da casa. Beta bateu novamente. Nada. Alfa colou o ouvido na porta. “A casa não está vazia. Tem alguém aí dentro sim. Devo arrombar?”, me perguntou. “Claro que não. Não somos selvagens. Aliás, nem temos um mandado policial, seria contra a lei. Ligue seu Videofone.” Impaciente, Alfa ligou seu Videofone. Liguei para ela, agradeci e pedi que virasse-o para a casa. “Professor, meu nome é John Starbucks. Represento um grande conglomerado internacional de cafeterias. Não desejamos nenhum mal para você ou os habitantes desta vila. Só precisamos de sua ajuda.” Silêncio. Seja lá quem estivesse lá, não queria conversar. Não me dei por vencido. “O senhor sabe algo sobre sereias?” Desta vez o silêncio durou poucos segundos, até que a porta abriu alguns centímetros e um pequeno vulto surgiu. “É você, então?”
A porta se abriu lentamente. Um homenzinho pequeno, muito velho e curvado, apoiava-se em uma bengala rústica. Em seu nariz acentuado equlibrava-se um óculos grosso, fosco e gasto. Ele mancou até a direção do Videofone segurado por Alfa, ignorando ela e Beta. Parando com os olhos próximos a tela, que exibia meu rosto, ele forçou os olhos, depois arregalou-o e gritou com a voz rouca “É você mesmo!” Me perguntei por um momento se nossa única pista seria um velho senil, mas logo vi que estava enganado. “Ela me falou sobre você! Ela me mostrou! Entre! Vamos conversar!”
Minutos depois estávamos dentro da casa. Alfa e Beta ainda eram quase sempre ignorados, enquanto sentávamos na sala de estar do Professor. “Então... Professor Rosa, ‘ela’-- “CRAVO”, disse ele, me interrompendo. “Professor Cravo.” “Mil perdões, Professor. Quando o senhor disse ‘ela’, se referiu à Sereia?” Ele piscou e me encarou como se a pergunta fosse a mais idiota que já tivesse ouvido. “Mas é claro! E quem mais seria? A Sereia já falava ao meu pai, meu avô, o pai dele, e o pai do pai, e o pai do pai do pai, e o pai do pai do pai do pai--” Interrompi-o antes que ele continuasse. “Certo. Quer dizer que não é só a família Starbucks que tem sonhos com a Sereia.” “Exatamente. Mas se bem que os meus começaram a pouco tempo. Acho que foi no começo do mês.” Beta comentou de seu canto: “Foi quando o senhor encontrou o diário.” Ele tinha razão.
Com um aceno de cabeça e um sorriso vago, Professor Cravo continuou. “Meus antepassados guardavam uma mensagem. Era uma grande rocha na praia que havia sido esculpida. A Sereia pedia que sempre que a mensagem se desgastasse, que talhássemos outra pedra para que ela não fosse perdida. Nós não podíamos seguir as instruções da mensagem. Era um acordo - nós teríamos pesca e chuva em troca de respeitarmos e mantermos a mensagem viva. E todos cumpriam. Uma vez ou outra alguns garotos tentavam seguir o que ela dizia, mas só se perdiam. A Sereia só deixaria a pessoa certa ir atrás daquilo.”
Me animei, levantando-me do escritório como se isso fosse nos aproximar mais do nosso objetivo. “O senhor pode nos levar até a pedra?” O velhinho deu de ombros. “Claro. Sem problemas.” Acompanhamos o Professor por alguns momentos, até que Alfa, irritada com sua lentidão, colocou-o nas costas e correu até a praia, seguindo suas instruções. Chegando lá, seguimo-o até algumas rochas no canto sul da praia. “Era aqui”. “Sério? Pra mim parece tudo igual.”, comentou Alfa indiferente. “É uma pena. Com o tempo, meu pai parou de cuidar da pedra pela sua idade, e eu nunca tive condição física para trabalhos manuais, pois sempre fui doente. A mensagem da pedra se perdeu...” revelou o Professor tristemente. Por alguma razão, eu não me senti desanimado. Alguma coisa estava incerta, alguma coisa estava diferente... Eu ouvia alguma coisa...
“Alí!” gritei, sem notar a altura que havia falado. Todos se assustaram, menos o Professor. Eu apontava para uma pedra, especificamente em meio a um grupo aparentemente idêntico. Eu podia ouvir algo quando olhava para ela. Uma canção. Era a voz da sereia. Devagar comecei a notar algo como uma aura de luz, verde, azul. Alfa se aproximou com o videofone. “É ela”. O professor começou a emitir um som rouco, ritmado, e demoramos alguns segundos para descobrir que ele não havia se engasgado - estava rindo. “É você mesmo! É você com certeza! Não importava quantos viessem aqui falar comigo, a Sereia dizia que só o verdadeiro poderia identificar a pedra. Só pode ser você.” Sorrindo, o professor abriu uma velha carteira de couro, de onde tirou um grande papel desgastado e dobrado. “Foi de propósito que deixamos a mensagem se desgastar. Tome, aqui está. Estávamos te esperando a muito tempo.”
Finalmente havíamos conseguido a primeira pista! A busca iria continuar, mas só uma coisa me deixou apreensivo: quem seriam as outras pessoas que também procuravam o tesouro?”
A História de James S.
Tudo começa em algum momento do século XVII. James S. era um famoso viajante, um marinheiro conhecido por grandes feitos exploratórios. Procurando enriquecer, partiu juntamente de uma expedição de mercadores que seguia para o Brasil. James era muito habilidoso, mas também era conhecido por ser extremamente religioso e, por vezes, supersticioso.
Depois de meses de viagem, quando os tripulantes finalmente desembarcaram na costa brasileira, James logo acabou descobrindo mais sobre o comércio de café, muito presente no Brasil, e decidiu que isso seria uma ótima maneira de juntar uma fortuna rapidamente. Seus negócios iam de vento em popa, quando certo dia viu um navio estranho, sem nenhuma indicação náutica conhecida, que viajava ao longo da costa. “Seriam piratas?”, se perguntou James, conforme seguia, à distância, os navegantes.
Logo o navio suspeito dirigiu-se para uma cachoeira, que, como James descobriu, ocultava uma grande caverna. Esgueirando-se por caminhos no barranco, nosso herói entrou na caverna e confirmou suas suspeitas - eram piratas! Além de jóias e tesouros de todo o tipo, os vilões descarregavam sacos e mais sacos de café, que estariam traficando. James se escondeu entre o produto dos roubos, num momento de distração dos piratas, e aguardou até que todos se fossem, seguindo para mais roubos, para investigar.
A fortuna no local era maior do que qualquer coisa que James já tivesse visto, mas antes que pudesse tomar qualquer decisão, foi afastado de seus pensamentos pelo que parecia uma melancólica canção. James seguiu a voz, claramente feminina, até uma câmara nos fundos da caverna, onde havia um lago subterrâneo de água salgada. Em meio ao lago estava uma bela sereia, que cantava melancolicamente.
James deixou-se admirar a bela sereia, parte admirado, parte com medo, pois afinal não acreditava que tais seres existissem. Porém, não demorou muito para que a moça o notasse e chamasse, o que lhe assustou muito, pois temia ser amaldiçoado por ela. Depois de acalmá-lo, a sereia explicou-lhe que os piratas haviam lhe prendido alí pois ela se recusara a entregar seu tesouro, e garantiu que o recompensaria se ele o ajudasse a escapar. Os piratas só voltariam ao anoitecer, então ele só precisava ajudá-la a voltar para o mar.
Depois de carregá-la de volta ao mar, a sereia entregou-lhe um saco de pano. “Você é digno de ser o detentor das sementes mágicas. Plante-as, colha-as e você terá o melhor café de todos. Queira ou não, a partir deste momento você e todos seus descendentes estarão para sempre ligados às sementes de café.” disse ela, antes de desaparecer no mar. James não acreditava naquilo - na verdade, tinha até medo - e a primeira coisa que fez, assim que se certificou que a sereia havia partido, foi se livrar das sementes, arremessando-as no mar.
Mas as palavras da sereia logo se mostraram verdadeiras, pois as sementes sempre voltavam para James. Mesmo que arremessasse, queimasse ou pisoteasse as sementes, quando menos esperasse as encontraria, junto de seu saco de pano, dentro de seus bolsos, ou numa gaveta de escrivaninha, ou ainda em suas mãos, enquanto dormia. Finalmente, se conformou que teria que ficar com elas, mas decidiu nunca plantá-las.
Um dia acordou com uma inspiração estranha - será que poderia enganar o feitiço da sereia? Cortou uma mecha de seu cabelo e colocou-a junto das sementes, depois escondeu-a no porão de sua casa. No primeiro dia, as sementes não voltaram. Nem no segundo, ou no terceiro. No décimo, James estava convencido que enganara a sereia. Mesmo assim, ainda temia usa fúria, caso ela descobrisse seu truque.
Assim, trancou as sementes em um baú junto com a mecha de cabelo, enterrou-as e, em seu diário, escondeu a localização em uma série de dicas e um mapa para que seus descendentes encontrassem. As sementes nunca saíram do baú, e a sereia, apesar do medo de James, nunca fez nada contra ele - ela sabia que, de qualquer maneira, seus descendentes certamente encontrariam as sementes.
Depois de meses de viagem, quando os tripulantes finalmente desembarcaram na costa brasileira, James logo acabou descobrindo mais sobre o comércio de café, muito presente no Brasil, e decidiu que isso seria uma ótima maneira de juntar uma fortuna rapidamente. Seus negócios iam de vento em popa, quando certo dia viu um navio estranho, sem nenhuma indicação náutica conhecida, que viajava ao longo da costa. “Seriam piratas?”, se perguntou James, conforme seguia, à distância, os navegantes.
Logo o navio suspeito dirigiu-se para uma cachoeira, que, como James descobriu, ocultava uma grande caverna. Esgueirando-se por caminhos no barranco, nosso herói entrou na caverna e confirmou suas suspeitas - eram piratas! Além de jóias e tesouros de todo o tipo, os vilões descarregavam sacos e mais sacos de café, que estariam traficando. James se escondeu entre o produto dos roubos, num momento de distração dos piratas, e aguardou até que todos se fossem, seguindo para mais roubos, para investigar.
A fortuna no local era maior do que qualquer coisa que James já tivesse visto, mas antes que pudesse tomar qualquer decisão, foi afastado de seus pensamentos pelo que parecia uma melancólica canção. James seguiu a voz, claramente feminina, até uma câmara nos fundos da caverna, onde havia um lago subterrâneo de água salgada. Em meio ao lago estava uma bela sereia, que cantava melancolicamente.
James deixou-se admirar a bela sereia, parte admirado, parte com medo, pois afinal não acreditava que tais seres existissem. Porém, não demorou muito para que a moça o notasse e chamasse, o que lhe assustou muito, pois temia ser amaldiçoado por ela. Depois de acalmá-lo, a sereia explicou-lhe que os piratas haviam lhe prendido alí pois ela se recusara a entregar seu tesouro, e garantiu que o recompensaria se ele o ajudasse a escapar. Os piratas só voltariam ao anoitecer, então ele só precisava ajudá-la a voltar para o mar.
Depois de carregá-la de volta ao mar, a sereia entregou-lhe um saco de pano. “Você é digno de ser o detentor das sementes mágicas. Plante-as, colha-as e você terá o melhor café de todos. Queira ou não, a partir deste momento você e todos seus descendentes estarão para sempre ligados às sementes de café.” disse ela, antes de desaparecer no mar. James não acreditava naquilo - na verdade, tinha até medo - e a primeira coisa que fez, assim que se certificou que a sereia havia partido, foi se livrar das sementes, arremessando-as no mar.
Mas as palavras da sereia logo se mostraram verdadeiras, pois as sementes sempre voltavam para James. Mesmo que arremessasse, queimasse ou pisoteasse as sementes, quando menos esperasse as encontraria, junto de seu saco de pano, dentro de seus bolsos, ou numa gaveta de escrivaninha, ou ainda em suas mãos, enquanto dormia. Finalmente, se conformou que teria que ficar com elas, mas decidiu nunca plantá-las.
Um dia acordou com uma inspiração estranha - será que poderia enganar o feitiço da sereia? Cortou uma mecha de seu cabelo e colocou-a junto das sementes, depois escondeu-a no porão de sua casa. No primeiro dia, as sementes não voltaram. Nem no segundo, ou no terceiro. No décimo, James estava convencido que enganara a sereia. Mesmo assim, ainda temia usa fúria, caso ela descobrisse seu truque.
Assim, trancou as sementes em um baú junto com a mecha de cabelo, enterrou-as e, em seu diário, escondeu a localização em uma série de dicas e um mapa para que seus descendentes encontrassem. As sementes nunca saíram do baú, e a sereia, apesar do medo de James, nunca fez nada contra ele - ela sabia que, de qualquer maneira, seus descendentes certamente encontrariam as sementes.
Assinar:
Comentários (Atom)